Existe sinfonia no silêncio

12 de agosto de 2016

Existe uma unanimidade equívoca em acreditar que o silêncio está associado ao vazio e a falta de preenchimento. Talvez este pensamento errado nasce e se fortalece a partir do fato de que estamos acostumados com o barulho da cidade poluindo nossos tímpanos, o som das vozes das pessoas nos bombardeando com uma conta infindável de palavras, as músicas em nossos fones de ouvidos que tentam criar mundos particulares. Enfim, fato é que, com tanto som se propagando por aí, não treinamos nossos ouvidos para ouvir o que há no silêncio, para escutar o que aquilo que chamados de “nada” tem a nos dizer.

Veja, eu não estou falando a respeito das vozes que falam e ecoam em nossas cabeças quando nos deitamos para dormir – aliás, vozes estas que, muitas vezes, emitem um barulho ensurdecedor. Não! Eu falo do ato de transcender o que conhecemos como silêncio (erroneamente tido como sinônimo de vazio) e desbloquear o conhecimento de que, no meio dele,  existe presença, existe “tudo”, existe coisas que, na maioria dos casos, não vamos encontrar em nenhum tipo de ruído. É como uma música instrumental que tem mais mensagem, história e peso do que aquela canção com letra, poesia e repleta de métrica.

Por mais que tentemos explicar o porquê ou achar uma solução, nos deparamos com o fato de que não existe explanação para tal fenômeno e que coisas como estas são obras da ordem natural e sobrenatural. É um paradoxo que requer enxergar o universo com os olhos do interior e desobstruir os ouvidos da alma, capazes de escutar o sussurro dos espíritos em meio ao vácuo. Assim entendemos a essência do viver e descobrimos, ao consultar os registros da biblioteca da memória, que os momentos que nos marcaram foram escritos a partir do silêncio: de um olhar; de um abraço apertado; de lágrimas escorrendo; de olhos em claro durante a noite.

A música parou e com isto deu lugar ao silêncio, muitas vezes penetrante e cortante, que se derrama pouco a pouco. Entretanto, mesmo em meio ao absoluto silêncio, a dança das palavras continuou rumo ao infinito, deixando rastros sonoros capazes de solucionar problemas, acalmar o coração, nos preencher com ensinamentos valiosos para toda uma vida. É por isso que a música mais bonita vive em meio ao silêncio, o acorde perfeito mora dentro disto que chamamos de “vazio”.

Existe sinfonia no silêncio, no nosso e no daqueles que nos rodeiam. Por isso, é necessário transcender a enganosa sabedoria popular, para que possamos alcançar o que realmente importa em nossas vidas: os bens que não podemos tocar, assim como a voz do silêncio.

Ouça-a com atenção.

Eu imagino um mundo onde o melhor dele somos nós

27 de setembro de 2013

(Trilha sonora para leitura deste texto: http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs)

As vezes, quando estou ocioso ou em silêncio como passageiro de um carro, me pego imaginando um mundo no qual as pessoas complicassem menos as coisas. Sabe, um mundo menos burocrático, onde as pessoas se importassem mais com o agora e menos com tudo que possa acontecer daqui algum tempo, um planeta Terra que fosse mais vivo e repleto de algum tipo de sentimento bom que fizesse as pessoas pararem de ver só os defeitos e diferenças uma das outras, mas começassem a ver as qualidades e as semelhanças que ela possuem! Eu fico imaginando e desenhando um mundo onde a felicidade do próximo também importasse e que, na maioria das vezes, o “eu” ficasse guardado numa caixinha por alguns instantes. Idealizo um local que “orgulho” fosse apenas uma palavra para representar o que sentimos um pelos outros quando presenciamos conquistas e vitórias, quando assumimos os esforços feitos para alcançar algo e, com isto, com este único significado de “orgulho”, todos arriscassem mais, todos deixassem diferenças de lado em nome de qualquer sentimento positivo maior, percebendo e assumindo assim como valeu a pena arriscar!

E quando eu passo a me convencer de que, talvez, um mundo assim seja de fato real, o ócio acaba e o carro para, fazendo com que todo o pensamento se perca em algum lugar por aí. E assim, o tal do “mundo tão mais legal” acaba ficando só no desejo, só no desenho. E aí eu vou desistir e deixar de acreditar em tudo? Não, não é bem assim. Aí eu vou começar a mudança em mim, aplicando na minha própria personalidade tudo o que eu gostaria de ver alterado neste mundo tão louco e inconstante que vivemos! Ou seja, eu largo mão da burocracia e da teimosia de ver defeitos e diferenças, para poder ser prático e simples, vivendo momentos felizes ao lado de pessoas que podem ter muito mais em comum comigo do que eu achava. Eu esqueço todo planejamento, tudo que é estratégico pro futuro, e passo a viver o meu agora com intensidade, deixando o acaso me proteger se eu ficar distraído. Eu começo a me importar também com as pessoas ao meu lado e deixo todo meu ego e individualidade esquecidos em algum canto por aí, passando assim a esquecer o sentido tão pejorativo de “orgulho”, arriscando mais, apagando diferenças para poder sorrir (ou, primeiramente, fazer alguém sorrir).

E por que eu vou fazer tudo isto? Para poder chegar em algum momento da minha vida, olhar para trás, e ver que valeu mais a pena tudo isto do que ser teimoso, burocrático e chato. Para poder entender que o melhor do mundo somos nós mesmos, e que a forma como o enxergamos depende de como nós agimos! Por fim, para poder chegar ao final de tudo e escrever não memórias póstumas arrependidas ou um epitáfio ressaltando o que eu deveria ter feito, mas sim lembranças incríveis e um epitáfio de felicidade e de satisfação por ter levado a vida de forma tão boa!

Então, meus caros, não sei pra vocês, mas que o acaso me proteja enquanto eu andar distraído! Que eu viva para ver a felicidade e coisas boas, ao invés de tantos problemas, infelicidade e negatividade!

“Quem procura, acha”. E nem sempre é assim

16 de dezembro de 2011

Existe um ditado que diz: “quem procura, acha”. De fato, é uma verdade quase absoluta e existem “N” fatores que comprovam isso. O problema está inserido quando começamos a levar isso como uma filosofia de vida exata e sem exceções, achando que se deixarmos de procurar certas coisas, nós nunca vamos encontrar. Nem tudo que encontramos nessa vida é graças ao fato de estarmos procurando.

Até certa fase da minha vida eu procurei cegamente a felicidade, o amor real, sentimentos sem segundas intenções. De tanto insistir em locais errados, eu acabei desistindo disso tudo e fiquei convencido de que, uma vez que eu não queria mais procurar essas coisas, eu jamais as encontraria em qualquer momento da minha vida. Outra vez, nessa minha vida cheia de ensinamentos, eu me enganei! Quando eu menos esperava, quando cheguei a pensar que tudo o que eu buscava e sonhava não passava de míseras ilusões e mentiras, eu fui surpreendido. A felicidade, o bem estar, a paz e o amor puro chegaram até mim, como se quem estivesse a me procurar fossem eles, e não eu.

Fui encontrado por aquilo que buscava, “por acaso”. Existem momentos nessa vida que é necessário deixar se surpreender. Não digo desistir de tudo, jogar as coisas para o ar e simplesmente viver a vida sem rumo! Quero dizer que existe uma hora que a gente deve dar um tempo nas buscas mais cegas. Porque, nem tudo quanto encontramos nessa vida está ligado ao fato da nossa procura incessante. As vezes, estamos procurando em tantos lugares e seguindo tantos mapas, que não paramos para ver que o resultado de nossa busca está ali, bem do nosso lado, tentando achar um espaço para nos surpreender.

Tudo em excesso é prejudicial. A procura cega, incessante e sem rumo, com coordenadas erradas, também é prejudicial. Sejamos inocentes, sejamos suscetíveis as surpresas, sejamos livres.

Certeza.

14 de agosto de 2011

E depois de tantas tempestades mentais, de pesadelos e dúvidas, a gente costuma continuar a caminhada que já havia se iniciado. Um dia atrás havia chovido forte dentro da minha cabeça, e uma confusão enorme se fez, mesmo assim continuei a caminhar depois de tudo, porque as escolhas não dão opção para voltar. Durante o tempo em que voltei a caminhar, parei para observar o céu e o quanto ele estava azul, e foi bem neste momento que uma onda de lembranças me tomou.
Lembrei de quando escolhi ir pelo caminho que achava justo, lembrei-me de quando a paz reinou em meu coração por causa dessa escolha, a lembrança dos lugares aonde este caminho me levou e as risadas que me proporcionou, também esteve presente, assim como me lembrei do que realmente importava na escolha daquele caminho. A jóia rara, única e especial que eu encontrei e que, desde então, sempre me acompanhou em todos os momentos, e sempre me proporcionou uma boa sorte estranha e inacreditável. Foi então que eu lembrei o quanto foi desnecessário pensar em tudo que eu perdi tempo pensando, afinal foi ali que eu encontrei o que gostamos de chamar de ‘felicidade’. Resolvi procurar a pedra preciosa dentro do meu coração e não achei, procurei na minh’alma e também não achei, até os bolsos eu revirei, sem sucesso.
E assim subitamente, eu lembrei de uma outra coisa. Lembrei-me de que durante a tempestade e a confusão dentro da minha mente, todo meu chão havia se perdido, e tudo no qual eu estava enxergando, simplesmente sumiu. Junto dessa súbita lembrança, veio o desespero, o medo, o aperto no coração, porque para mim todas as outras coisas já haviam se tornado desnecessária para viver, porque eu tinha a jóia que fazia o meu coração ficar em paz. Sem ela, tudo que voltou a fazer sentindo, passou a não fazer mais sentindo outra vez.

Olhei para trás de novo, mas desta vez não foi para se dar ao luxo de imaginar outras hipóteses e variáveis, e sim porque eu já estava correndo atrás, para procurar a pedra que caiu durante o meu momento de fraqueza e hipocrisia mental. E se eu me considerava um homem sem lágrimas, eu já tinha que começar a rever meus conceitos a partir daqui, porque elas apareceram e escorreram dos meus olhos.
O aperto no coração, misturado a falta de ar e o sentimento de desespero não me deixavam parar de correr, muito menos me deixavam piscar os olhos. Tudo o que eu queria era encontrar o que fazia a minha vida ter um sentido.

Há poucos metros eu estou vendo algo brilhar de forma parecida com a jóia que me fez tão bem. Engraçado que eu parei de correr e comecei a andar, não pelo fato de ter perdido a vontade de encontrá-la, mas sim por ter medo de saber como ela está depois do meu descaso irresponsável. Eu estou tão perto.

Não quero perder a jóia que me faz perder o ar todas as vezes que a olha diretamente. Não quero perder aquilo que me tornou um alguém melhor e diferente, um alguém cheio de sonhos, vida e planos. Não quero abrir mão daquilo que ela já me concedeu e do que eu sei que vai me conceder a cada novo dia.
Eu quero tê-la novamente, aqui comigo, dentro do meu peito. Porque o valor dela é incomensurável, e o vazio que há aqui dentro de mim devido a essa sensação, parece ser maior ainda.

A pedra preciosa que me deu certeza de ter feito a escolha certa, que me fez lembrar a verdadeira razão de estar aqui, tão consciente. A jóia que mudou toda uma história e me fez ter certeza de que o outro lado é obscuro.
Esse bem eu não quero perder. Mesmo.

Bifurcação

14 de agosto de 2011

Eu  nunca calculei que chegaria nesse ponto do caminho. O ponto aonde tu se dá o luxo de olhar para trás e pensar a respeito de todo caminho que traçou, pensar a respeito da escolha do caminho ‘x’ ao invés do ‘y’ naquela bifurcação há alguns quilômetros atrás. Não que os lugares aonde esse caminho já te levou tenha te feito infeliz, mas a pequena ideia de que do outro lado havia um outro caminho, outros lugares, outras experiências e incertezas, faz com que as coisas se baguncem dentro da mente.
E no meio dessa confusão mental, um “será que vale a pena?” escapa quase que de forma espontânea. Todos os esforços, sacrifícios, exercícios de compreensão, tudo e exatamente tudo, será que valeu e vale a pena? E mesmo depois da tempestade que se torna a mente, e das tantas hipóteses criadas para explicar a questão, ela sempre termina sem uma resposta que consiga convencer.

O outro caminho – que faz parte de um “lado de lá” que não é tão distante, também estava planejado. Inclusive estava traçado no mapa que carrego tatuado em alguma parte da minh’alma, mesmo assim não pude escolher o outro lado para saber até aonde iria me levar. A vida é feita de escolhas, muitas vezes cruciais, e é por isso que a maioria dos planos foram feitos para esquecer, feitos para não viver.

E o quanto mais eu tento não parar e olhar para trás, pensar no momento da bifurcação, mais a confusão mental se agrava. As decisões acabam virando ‘a decisão’ e tu passa o resto da vida pensando na outra coisa, na outra alternativa e escolha, sem saber ao exato se as folhas do caminho seriam mais verdes ou não, se os frutos seriam melhores ou não, se o pôr-do-sol teria mais graça ou não, porque o tempo não volta e as decisões – nesta vida um tanto injusta, não se dão ao luxo de nos ceder oportunidade. As escolhas, que viram ‘a escolha’, é o que tu vai ter que carregar dentro de si por todo sempre, e assim aprendendo a deixar de lado as inseguranças, os medos, e os pensamentos que a escolha de um lado, ao invés do outro, traz.

‘Se conformar’. Tá aí algo que eu tô precisando achar espaço no peito pra tatuar e levar pra vida.

De quando eu parei de fingir, e comecei a acreditar.

9 de julho de 2011

Um dia eu fingi que acreditava no que me diziam sobre amor. Só fingia mesmo, porque toda aquelas histórias e lendas não faziam sentido, pelo menos não para mim. E eu continuava a caminhar, a vagar pela praia, sentindo a areia grudar entre meus dedos e vendo as minhas pegadas serem apagadas, ora pelo vento ora pelo mar.

Eu não era de acreditar nas “ficções amorosas”. Talvez por isso eu não sentia frio, afinal meu coração já era gelado o suficiente. Além do mais, se tudo estava vazio e fechado, não havia onde a brisa me causar arrepios.

Por algum motivo, eu não possuía fé nas lendas de amor. Talvez porque o verbete “amor” – e seus derivados, não estavam no dicionário que eu sempre mantive em meus bolsos. E bem, como eu sempre fui daqueles que defende a teoria de que “se não está escrito, simplesmente não existe”, dá para entender um pouquinho dessa minha falta de crença.

Porém, existem momentos nessa vida que nos fazem “cair de joelhos”. Sabe, esses momentos típicos que a tua boca seca e as palavras somem, porque não haveria adjetivo, ou qualquer outra coisa do gênero, que conseguiria explicar ou dar sentido ao momento em questão. E eu cai de joelhos quando a estrela-mor da manhã raiou no lugar tão desolado e frio em que eu me encontrava. Foi nesse exato momento em que minha boca secou, as palavras viraram fumaça, e de joelho eu desabei sobre a areia úmida da praia, que eu pude entender. Um momento literal de “iluminação”, uma situação na qual me fez alterar todos os conceitos antigos, sanar todas as dúvidas que não me permitiam dormir e ainda me fez acreditar nas coisas que me falavam sobre amor.

Pra falar a verdade, eu alcancei o “nirvana” quando aquela mão suave  pousou sobre meu rosto. Foi quando aquele olhar doce, diferente de todos os olhares que já observei, penetrou no meu, e aquela doce voz – abafada pela alta música que tocava no lugar, foi parar diretamente nos meus ouvidos, foi aí então que tudo mudou. Foi aí então que o sol raiou na eterna noite que morava na praia tão deserta que eu vivia, e eu pude mudar tudo que um dia ousei pensar e imaginar.

Foi quando eu a encontrei que daquele antigo e infindável exílio eu escapei. Foi aí então que eu tive a honra de poder escrever sobre o que era “amor” – e seus derivados, no dicionário que carrego nos bolsos.

” Hoje já não finjo mais que vai ser eterno
Porque não há motivos para isso.
Só há motivos para acreditar que será eterno
Agora eu não tenho que te pedir para esquecer
Porque sei que, independente das circunstâncias,
Você virá passar comigo essa madrugada tão fria. “

Ah, como tudo muda. 

Carta de um exilado.

11 de abril de 2011

Eu me sinto exilado do meu estado natural. Exilado em um terra aonde não existe sentimentos, aonde os nativos não possuem coração, mas sim um vazio. Um vazio por onde passa o vento gelado que sopra aqui aonde estou. É engraçado a situação de exílio, porque você dorme tranquilamente aonde sempre deveria estar, mas na manhã seguinte, ao acordar, você se depara com a situação inesperada e, sem escolha acaba tendo que acata-la.

Eu procuro por uma saída, por uma chave, por qualquer coisa no meio dessa neve que me faça sair deste lugar e voltar para os braços quentes e acolhedores do lugar aonde fui retirado. Ao mesmo tempo que eu procuro uma forma de voltar ao meu estado natural, eu procuro por uma resposta que me convença, que consiga me explicar o porque disso tudo. Por que fui exilado? Quem me exilou? O que fiz, ou melhor, o que deixei de fazer para que a vida me trouxesse até aqui? São respostas que ainda não encontrei.

É de dentro de uma caverna traiçoeira, claustrofóbica, com uma pequena fogueira que já está para apagar, que eu vos escrevo. Vos escrevo para dizer que estou bem e que por mais que este exílio esteja sendo uma experiência totalmente nova e perigosa, tenho certeza que há algum sentido e aprendizado a ser guardado com ele. O que me faz ter tanta certeza disso é o coração que ainda carrego comigo e que faz meu sangue se manter quente. É o coração que palpita e me faz lembrar que enquanto houver vida, haverá forças para continuar e fé pelo que há de vir.

Meus amigos, a fogueira já está quase se extinguindo e as únicas coisas que agora observo são os desenhos tão sinceros e nostálgicos que existem na parede. Talvez eu esteja aonde a vida queira que eu esteja para, exatamente, aprender algo e lembrar do que um dia me fez ser alguém especial.

E se encontrarem isso que vos escrevi, quero dizer que estou bem, que continuo vivo e que ainda tenho um coração que me impede de desistir.

Eu que já não te amo mais.

3 de janeiro de 2011

A gente vive tantas coisas com as pessoas e num piscar de olhos muito do que foi vivido simplesmente some da memória das pessoas, exatamente como aconteceu com nós. Não que eu tenha esquecido cada momento nosso, não mesmo, afinal eu tenho a mania de encaixotar as lembranças e guardar no sótão da memória, ou então escrevo tudo para que eu possa colocar em uma das estantes empoeiradas da biblioteca das lembranças. Pena que você não compartilha dessa mesma “necessidade” de ter que guardar tudo que se passou junto de alguém, é uma infelicidade que você sempre queime os rascunhos dessa nossa história que eu insisto em continuar e escrever, mas que você já terminou a muito tempo atrás.

Pois bem, meu eterno, antigo e empoeirado amor, nesses últimos dia do ano que terminou, passei revirando inúmeras caixas com cartas, telegramas, bilhetes, letras de músicas e tantas outras coisas que eu escrevi para você, para e sobre nós, que eu escrevi suplicando, implorando e pedindo para que você voltasse e “me fizesse feliz” outra vez. Em meio a tanta sujeira, lembranças tristes e outras alegres, em meio a tanta nostalgia, poeira e infindáveis lágrimas notei algo que eu deveria ter percebido há tempos atrás, abri meus olhos para um fato que sempre esteve ali, tão vivo, tão gritante. A verdade é que eu não te amo mais, há muito tempo eu não te amo mais. O amor que eu tanto dediquei e transcrevi em poemas era, na verdade, um amor pelas lembranças, pelo passado, por tudo que vivemos e foi feliz, mas preferi me fazer de cego e acreditar que ainda existia uma chama aqui dentro que ainda poderia reacender um amor que há tempos já havia sido extinguido. A verdade parou de me assombrar e resolveu me machucar e então as infindáveis lágrimas, se tornaram mais infindáveis ainda, algo que eu não podia controlar, quase que um ato involuntário como o respirar.

Eu não te amo mais, só existe um resto de sentimento altamente valorizado pelas memórias que eu sempre insisti em guardar. Entendi enfim tudo que aconteceu e estava acontecendo comigo, compreendi o sofrimento e notei o quanto tempo foi perdido tentando reviver através de tantas fórmulas alquimistas as lembranças há tanto tempo mortas, só escritas em livros daquela velha biblioteca. Eu vi a verdade e percebi o que tinha que ser feito, algo que eu nunca me imaginei fazendo.

É hora de queimar não só os rascunhos dessa história, mas também queimar todos os livros, caixas, papéis, telegramas, objetos, coleções e afins que me fazem lembrar você e que me despertam um sentimento falso. Porque enquanto eu viver preso a suas algemas eu jamais vou viver, porque enquanto eu viver trancado voluntariamente nesse seu mundinho inventado, achando que nada vai mudar e que tudo pode voltar, que é só acreditar. Enquanto eu viver assim tudo continuará como é.  Por  isso, é hora de queimar tudo e seguir em frente, finalmente livre.

Espero que a fumaça dessa fogueira que vai demorar se extinguir leve até você a mensagem de que os meus olhos foram abertos e que, ao contrário do que eu imaginava, eu já não te amo mais. A partir de hoje, os seus jogos não surtem mais efeito, porque não existem mais lembranças para ressuscitar gotas de sentimento.

Eu vou seguir meu caminho sem você e espero que siga o seu sem mim, sem me procurar jamais.

Coragem tatuada na alma.

1 de janeiro de 2011

Sempre encontrei dentro de mim uma vontade de acreditar em tudo que eu tivesse vontade. Acreditar em superstições, signo, nas pessoas, em alguma entidade maior e, principalmente, em sonhos e objetivos. Embora houveram muitas frustrações e momentos de fraquezas aonde cheguei a ter uma ponta de falta de crença, nunca deixei de me “agarrar” a algo ferozmente e acreditar nele até o último momento, independente do que tenha sido esse “último momento”.

Do que nos serve a vida se não pra sonhar e conquistar?

Do que nos serviria a vida se não houvesse no que acreditar?

Que valia teria a vida se não houvessem batalhas para provar que aquilo no qual nos agarramos até o fim, de forma bem sedenta e feroz, realmente significa e vale de alguma coisa?

Uma coisa é certa, meus caros, aquela saudosa frase do MESTRE Lucas Silveira é uma verdade absoluta: “O Mundo é de quem tem CORAGEM!”. O mundo pertence aos corajosos que quebraram o gelo de seus corações e resolveram sentir as palpitadas de um coração que, assim como uma criança, sonha sem se preocupar com um amanhã “pré-definido” e deseja sem parar. Isto aqui tudo é das pessoas que tatuaram a coragem na alma e resolveram enfrentar os obstáculos, os inimigos e as armadilhas da vida com a cabeça erguida, a cara lavada e os joelhos manchados de sangue. Sim, os joelhos manchados de sangue, porque  para que sonhos se realizem é preciso esforço, é preciso lutar, é preciso cair e se levantar. Nada vem fácil e é por isso que para acreditar e realizar isso tudo, é preciso mais do que só um sorriso e poucas palavras, é preciso de atitude e coragem!

Não existe sorte, meus caros, existe sim nós proporcionarmos esta nossa sorte, existe nós prepararmos, construirmos e montarmos o nosso futuro!

E eu termino esse texto com as sábias palavras de Lucas “Beeshop” Silveira e, também, com um belo cruzado de direita na cara daqueles que apostaram todas as fichas na minha queda e derrota:

” Sejamos maiores. Tenhamos CORAGEM. Escrevo em maiúsculas por acreditar que essa é a única palavra que precisa realmente ficar nos olhos de quem está lendo isso. É uma luta em que ninguém vai entrar no ringue pela gente. NINGUÉM. Depender apenas dos próprios punhos é assustador, mas a cada obstáculo transposto, a gente aprende que – sempre – pode mais. O sangue que deixarmos espirrar será lembrança eterna do quão longe chegamos. “

É, 2011 chegou. Para ele deixo um brado que, na verdade, é mais um recado: “2010 e todos os enviados dele não me derrubaram e derrotaram. Que venha você 2011, eu estou pronto, pronto para mais uma horda de soldados que vão acreditar que a minha história vai acabar “aqui”, pronto pra provar que todos sempre estiveram errados e, também, pronto pra tornar esse capítulo novo dessa história algo que vai ficar marcado, que vai ser inesquecível! Então, se tem tanta CORAGEM assim como eu tenho, venha, venha logo. ”

É isso aí, galera. Feliz ano novo!

O que fazer?

5 de dezembro de 2010

Dizem que a música move a alma e pode levar qualquer ser vivo da calmaria até a coléra mais terrível. Ela tem um poder sobrenatural, que vai muito além de uma simples imaginação, de vários acordes e poucas palavras. Costumo dizer que a música é uma extensão das palavras, algo como uma dança das palavras e é exatamente essa tal dança que nos impulsiona, nos acalma, nos leva para frente ou para trás e assim vai.

Mas, e quando a música para e acaba? O que acontece com todo esse universo complexo? Aonde vai parar a dança das palavras? Como fazemos para pensar, agir e falar? Sinceramente eu não sei, e é por isso que eu escrevo, para tentar decifrar, para tentar descobrir o que acontece quando a música para e todo nosso universo se altera.

A única coisa que sei é que a dança das palavras continua, até o desconhecido, até o infinito ainda não desbravado.